terça-feira, 23 de novembro de 2010

Arrumando as gavetas...

Hoje decidi arrumar minhas gavetas da vida. Arrumei uma gaveta de papeis e fui vendo e lendo cada bilhete, cada lembrança, cada ingresso de cinema, cada carta, cada flor, cada adesivo, cada papelzinho, por menor que seja, cada desenho, cada ingresso de jogos de futebol, cada anotação, cada cd gravado. Tudo me lembrou você. Em cada momento vi seu rosto entre aqueles papéis. Vi você sorrindo, você chorando, você chateado, fazendo manha, fazendo birra. Senti que você não está mais e nem estará próximo de mim. Senti que você se foi. Você se transformou em uma roupa que não me serve mais. A fase da vida em que você esteve ao meu lado foi muito bonita, mas sofri. Sofri por não gostar de mim e sim de você. Senti que a maioria das decisões eram as que eu queria porque você gostava mais de mim do que de você. Nós fomos feitos um para o outro. Nós somos como carne e unha. Nós nunca ficamos separados por tanto tempo. No máximo alguns dias e a gente sofria com a ausência. Era uma vida de ilusões. Eu te construí e você me construiu. Nunca fomos exatamente aquilo que o outro esperou. Sempre sonhamos com o companheiro perfeito, mas sempre nos decepcionamos com a gente. Mas a gente seguia. Seguia cada dia mais fraco, cada dia mais infeliz. Mas a gente preferia sofrer do que se separar, do que ficar longe.
Hoje senti que você arrumou suas gavetas bem antes das minhas serem mexidas. Hoje percebi que você nunca foi e nunca será aquele que eu imaginei. Mas fique feliz. Você chegou bem perto. Ninguém tinha conseguido esse feito. Você foi a pessoa mais importante para mim de uma época que já acabou. Nossa data ficará sempre em minha memória e sei que um dia você vai esquecê-la. Mas não eu. Eu vou sempre lembrar daquele que mais me fez feliz e que mais me fez sofrer ao mesmo tempo. Queria que o amor fosse suficiente. Por que somos tão complicados? Por que dificultar tanto a vida? Seria tão mais fácil a gente se amar e se amar e pronto. Ainda te amo. Mas é um amor diferente. É um amor guardado no fundo da gaveta. Igual aquela blusa azul que você me deu. Sempre irei deixá-la aqui, posso precisar de me esquentar em um dia frio, e você estará nela me aquecendo. Nosso amor se transfomou em compreensão por não ser possível. Espero ainda te encontrar um dia e ver como você está feliz. Mas eu também estarei extremamente feliz. E vamos nos abraçar em sinal da nossa história e da nossa capacidade de entender que não se precisa estar junto para amar, podemos amar de longe para que possamos ser mais felizes. Feliz desaniversário!

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