terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cena linda...

     Hoje voltando do trabalho, no horário do rush, aquela chuva impiedosa, estava eu agarrada no trânsito. E como sempre ouvindo minhas músicas favoritas, abri um pouco o vidro para sentir a chuva e a frescor em eu rosto. Foi então que vi um senhor com muitas dificuldades tentando caminhar na calçada estreita, no meio da chuva, segurando na grade de um portão e com a outra mão carregando uma bengala que nunca chegava a tocar o chão. 
 
     O senhor devia ter uns 90 anos, desdentado, mas estava até bem arrumadinho, parecia que ia a algum lugar e a chuva o deixou atordoado. A primeira sensação que tive foi: " Esse senhor deve ter fugido de casa, está com muitas dificuldades para caminhar... quem deixa um senhor sair assim sozinho". Depois cheguei a cogitar a sair do carro e lhe perguntar onde estava indo e se queria uma carona. Mas o trânsito estava tão chato, andava um pouco e depois parava, andava mais um pouquinho e parava. Estava próxima a uma bifurcação em Y e os carros estavam todos desorganizados.

     Fiquei preocupada com o senhor que já tinha ficado para trás. Quando consegui vê-lo ele estava estático. Parado segurando em um cano do qual corria uma correte até o próximo cano, colocado ali, provavelmente, no intuito de evitar que os carros estacionem ali dentro. O senhor então, não tinha mais como segurar em nada. Ficou agarrado, pois a corrente era muito baixa e instável. Fiquei com o coração apertado. Ele provavelmente vai ficar ali na chuva, não vai dar conta de seguir em frente e vai acabar com uma pneumonia.
     Foi então que observei as pessoas passando e nenhuma delas se importavam com a situação, ou nem se davam conta. Em um súbito de desespero eu tentei chamar um rapaz que caminhava em direção ao senhor. O rapaz parecia que estava indo em direção a um curso ou aula da faculdade, pois estava carregando uma mochila escolar. Chamei e ele não me ouviu. Senti uma grande vontade de correr lá atrás e ajudar o senhor.
Fiquei tentando achar um lugar para melhor estacionar o carro para poder descer. Foi aí que quando eu me dou conta, o rapaz da mochila tinha segurado na mão do senhor que andava rapidamente e apontava com a bengala o seu destino. Ele estava indo aparentemente para uma lanchonete. Mas eu achei aquele ato tão belo, tão singelo. As pessoas, inclusive eu, não tiveram o desprendimento que aquelee rapaz teve. Fiquei emocionada.
     As vezes a gente sente que as pessoas desde mundo não são boas, que só pensam em si mesmas, que o mundo está perdido. Esse ato me fez pensar ever que nem todos são assim, existem pedras preciosas no meio dessa pedreira de mundo cruel.

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